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28 de setembro de 2009

Eternidade

Olhava eu ao longe. Sempre havia uma linha a minha frente.
Me disseram que eu deveria alcançá-la.
E por isso lutei.
Meus sonhos e esforços estavam delimitados por aquela linha.
Linha que me instigava e que me frustrava

Quando se fita um ponto fixo por muito tempo
Ou você o absorve ou o perde de vista, confundindo-o com a paisagem.
Um dia, de tanto olhar, perdi-o de vista
e descobri que havia algo mais além daquela linha.
Mas meu olhar não conseguia abranger sua dimensão.
Então perguntei ao sábio: O que significa aquela imensidão depois da linha?
E ele me disse: “Não sabes? É o lugar para onde tu certamente irás”.
O sábio olhou-me nos olhos e prosseguiu:
“Se fixares teus olhos lá, entenderás todas as coisas:
Tua origem , tua essência, tua razão de ser, teu tempo,
tuas posses e dons e teu destino. Só se olhares para lá”.

Algo incrível aconteceu com meus olhos!
Aquela amplitude pareceu me absorver.
Já não conseguia mais ver a linha!
Fiquei tão feliz com a descoberta que voltei-me para o sábio e perguntei:
Sábio, diga-me teu nome para que quando eu estiver lá não aconteça de me esquecer de ti.
O sábio sorriu e respondeu: “Não te preocupes, certamente me encontrarás lá também.
Ah! A propósito, meu nome é Jesus”.

Bárbara Guedes
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O Grito

O canto em mim se calou
Tenho sido como esta minha voz enrouquecida
Enfraquecida...
Cri, mas não vi.
Esperei, mas não alcancei.

Não entendo o tempo...
Parecia-me favorável
Mas agora parece escorrer em minhas mãos
Urgência! Urgência!
Ouço uma urgência dentro de mim
Quem apressou o relógio?

Meu ser, partícula ínfima nesta imensidão de Deus.

Uma voz suave tenta me convencer de meu valor
Ah, como eu queria que gritasses!
Despertarias a dormência provocada pela solidão
Libertarias meu peito oprimido...

Sonho com montanhas, mas elas são frias.
Sonho com as águias, mas estas são solitárias.
Sonhar...sonhar... Sonhar ou viver?

Manhã e tarde. Outro dia. O que fiz?
Que cadeias me prendem?
Medo? Culpa? Insegurança? Confusão?
Sede indomável.

Ó fome, por que não te sacias?
Almas, promessas, profecias.
Palavras soltas? Desejos vãos?
Quem tenho sido?

Planos, projetos e metas...
Quais mãos os traçaram?
E se embaralham as mãos
E se misturam as vozes

Comandos, sugestões, críticas...
Onde estás, ó voz doce? Por que não gritas?
Meu amor continua doendo.
Não sei apagá-lo...

Bárbara Guedes
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27 de setembro de 2009

Todo Amor que Tenho Por Ti

Queria fugir para uma ilha deserta
onde eu pudesse gritar com todas as minhas forças,
até que esvaziasse meu peito
de todo amor que tenho por ti.

Queria subir na montanha mais alta
onde o oxigênio faltasse
e eu pudesse matar asfixiado
todo amor que tenho por ti.

Queria ir ao lugar mais frio do mundo
e deixar lá o meu coração
Quem sabe não mataria congelado
Todo amor que tenho por ti...

Queria mergulhar no oceano mais profundo
e afogar bem lá no fundo
todo amor que tenho por ti.

Ah, quanta desilusão...
De que me adianta chorar?
Se meu peito dilatou,
e ainda não consegui encontrar o seu fim.
Se a altura me lembrou
a grandeza deste amor que decidiu morar em mim
Quanto ao frio, mesmo intenso,
não resistiu ao fogo imenso que trago no meu ser.
Nem ainda as muitas águas puderam afogar
este amor teimoso que tenho por você.

Bárbara Guedes
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Enquanto Houver Força

Se eu tiver que sofrer, sofrerei em versos;
não mais calarei a minha dor.
Se tiver que amar em silêncio...
recuso-me;
amarei em estrofes.
Tornarei conhecido, em tinta e papel,
este amor que me envolve... e me absorve.

Há tanta força neste amor que o faz absurdo!

Apressa-te, mão, vai deslizando sobre a folha,
vai correndo entre os versos;
destila gotas de paixão.
Dá livre curso ao meu peito
que já não suporta tanto aperto
de um amor em solidão.

Salta para fora do casulo,
deixa seu quarto escuro
antes que morra o meu coração.
Recita os desejos reprimidos,
respinga no papel todos os anos não vividos;
chora o silêncio da frustração.

Temo que a força deste amor me queime tanto por dentro,
que já não reste mais nada de mim.

Ó mão, vai riscando os meus murmúrios,
meus deslumbres e sussurros;
vai sangrando o meu afeto.
Vê se aplaca esta sede de amar insaciável,
esta falta de carinho...
E segura o meu amor enquanto houver força.


Bárbara Guedes
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