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28 de setembro de 2009

O Grito

O canto em mim se calou
Tenho sido como esta minha voz enrouquecida
Enfraquecida...
Cri, mas não vi.
Esperei, mas não alcancei.

Não entendo o tempo...
Parecia-me favorável
Mas agora parece escorrer em minhas mãos
Urgência! Urgência!
Ouço uma urgência dentro de mim
Quem apressou o relógio?

Meu ser, partícula ínfima nesta imensidão de Deus.

Uma voz suave tenta me convencer de meu valor
Ah, como eu queria que gritasses!
Despertarias a dormência provocada pela solidão
Libertarias meu peito oprimido...

Sonho com montanhas, mas elas são frias.
Sonho com as águias, mas estas são solitárias.
Sonhar...sonhar... Sonhar ou viver?

Manhã e tarde. Outro dia. O que fiz?
Que cadeias me prendem?
Medo? Culpa? Insegurança? Confusão?
Sede indomável.

Ó fome, por que não te sacias?
Almas, promessas, profecias.
Palavras soltas? Desejos vãos?
Quem tenho sido?

Planos, projetos e metas...
Quais mãos os traçaram?
E se embaralham as mãos
E se misturam as vozes

Comandos, sugestões, críticas...
Onde estás, ó voz doce? Por que não gritas?
Meu amor continua doendo.
Não sei apagá-lo...

Bárbara Guedes

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